Pelo menos 30 esposas documentadas. A mais jovem tinha 14 anos. Pelo menos 11 já estavam casadas com outros homens vivos. Vários dos casamentos sem o conhecimento de Emma. Tudo reconhecido oficialmente pela Igreja em Gospel Topics Essay de 2014.
Por 160 anos a Igreja ensinou que Joseph Smith teve "uma esposa" — Emma. Em 2014, isso mudou.
Em outubro de 2014, a Igreja publicou o Gospel Topics Essay "Plural Marriage in Kirtland and Nauvoo". O ensaio reconhece oficialmente:
[...] Joseph Smith casou-se com várias esposas adicionais e autorizou que outros Santos dos Últimos Dias praticassem o casamento plural. [...] Evidências cuidadosamente examinadas pelos historiadores indicam que Joseph Smith se casou com cerca de 30 a 40 esposas.
O próprio ensaio, em nota de rodapé, cita os trabalhos de Todd Compton (In Sacred Loneliness, 1997, que documenta 33 esposas) e Brian C. Hales (apologista, que documenta 35). A Igreja não contesta os nomes, apenas ressalta que "os detalhes de quando e como foram tomadas permanecem incertos em muitos casos".
| Categoria | Dado documentado | Fonte |
|---|---|---|
| Total de esposas | 30 a 40 | Gospel Topics Essay 2014 |
| Esposas adolescentes | Pelo menos 2 com 14-16 anos | Compton, Hales, Gospel Topics |
| Esposas já casadas (poliandria) | Pelo menos 11 | Gospel Topics Essay 2014 |
| Casamentos sem o conhecimento de Emma | Vários | Gospel Topics Essay 2014, Bushman 2005 |
Antes da revelação oficial de D&C 132 em 1843, Joseph já praticava a poligamia há mais de uma década.
Fanny Alger é reconhecida pelos historiadores como a primeira "esposa plural" de Joseph Smith. Tinha cerca de 16 ou 19 anos (depende da fonte) e servia como ajudante doméstica na casa dos Smith em Kirtland, Ohio. O relacionamento começou entre 1831 e 1833.
O próprio Gospel Topics Essay admite:
Fragmentos de evidência sugerem que Joseph Smith agiu com cautela, ensinando o casamento plural apenas a alguns associados confiáveis. Entre os primeiros a quem ele ensinou essa doutrina estavam Oliver Cowdery e Frederick G. Williams, membros da Primeira Presidência. Por volta de 1836, em um papel para atividades religiosas, é provável que Joseph tenha se casado com uma jovem mulher chamada Fanny Alger, que, com a permissão dos pais, morava e trabalhava na casa dos Smith.
O detalhe importante: Emma Smith não sabia. Quando descobriu, expulsou Fanny de casa. O líder da Igreja Oliver Cowdery — primeiro escrivão do Livro de Mórmon e uma das Três Testemunhas — chamou o relacionamento, em carta de 21 janeiro de 1838, de "um caso sujo, nojento, imundo e escabroso" ("a dirty, nasty, filthy affair"). Cowdery foi excomungado da Igreja em abril de 1838 — em parte por essa acusação.
Em maio de 1843, Joseph Smith casou-se com Helen Mar Kimball, filha do apóstolo Heber C. Kimball. Ela tinha 14 anos. Ele tinha 37.
O Gospel Topics Essay reconhece o caso explicitamente:
A esposa mais jovem de Joseph foi Helen Mar Kimball, filha de Heber C. Kimball, que foi selada a Joseph vários meses antes do seu 15º aniversário. O casamento parece não ter tido dimensão sexual.
A afirmação de que o casamento "parece não ter tido dimensão sexual" é a posição apologética. A historiadora Todd Compton analisa em In Sacred Loneliness que a ausência de evidência direta (cartas explícitas, filhos) não pode ser confundida com evidência de ausência, dado que todos os casamentos plurais de Joseph eram conduzidos em absoluto segredo.
Helen Mar deixou depoimento autobiográfico publicado em Woman's Exponent (jornal mórmon feminino) em 1880:
Meu pai me apresentou [...] a doutrina do casamento plural, [...] meu jovem coração ficou quase quebrado. [...] Tive que suportar sem murmuração até minha mãe falar comigo [...]. Nenhuma outra pessoa além de uma pessoa que já passou pelo que eu passei pode formar qualquer ideia do que eu sofri.
O contexto: Helen Mar foi persuadida de que o casamento selaria toda sua família à de Joseph Smith na eternidade. Heber C. Kimball explicou à filha que era uma oportunidade de "garantir a exaltação" de sua linhagem.
Os padrões legais e morais do século XIX não eliminam a estranheza do caso. Mesmo em 1843, 14 anos era a idade mínima legal para casamento em alguns estados — no limite do aceitável. O que chama atenção não é apenas a idade, mas o mecanismo: o pai — apóstolo da Igreja — convence a filha adolescente usando o ensino religioso de que o casamento com o profeta traria salvação eterna para toda a família. Isso não é "uma esposa adicional" — é coerção religiosa estruturada.
O problema mais difícil. D&C 132:61 autoriza o homem a casar com virgens "não comprometidas com qualquer outro homem". Mas Joseph casou-se com pelo menos 11 mulheres que eram casadas com homens vivos — muitas delas com maridos presentes e ativos na Igreja.
O Gospel Topics Essay reconhece:
[...] algumas das mulheres [casadas com Joseph] eram casadas com outros homens no momento da selação. Essas selações [...] podem ter sido [...] algo distinto do que entendemos hoje por casamento. [...] A poliandria em si é praticamente desconhecida na cultura mórmon moderna, mas pode ter ocorrido em alguns casos em Nauvoo.
Entre as esposas já casadas documentadas por Todd Compton e reconhecidas pela Igreja:
Casada há 7 meses com Henry Jacobs, grávida. Selada a Joseph em outubro de 1841. Henry continuou sendo missionário fiel da Igreja enquanto sua esposa era "esposa" do profeta.
Casada com Adam Lightner (não-mórmon). Selada a Joseph em fevereiro de 1842. Depois da morte de Joseph, continuou casada com Adam por mais 40 anos.
Casada com David Sessions. Selada a Joseph em março de 1842 — aos 47 anos. Continuou com David até a morte dele.
Filha de Patty (acima). Casada com Windsor Lyon. Selada a Joseph em fevereiro de 1842. Sua filha Josephine declarou em 1915 ser filha biológica de Joseph Smith.
Casada com o apóstolo Orson Hyde. Enquanto Orson estava em missão em Jerusalém, Joseph se casou com Marinda (abril de 1842).
Casada com Joseph C. Kingsbury (em "casamento falso" arranjado para encobrir a relação com Smith). Selada a Joseph em julho de 1842.
A lista completa de Todd Compton (In Sacred Loneliness, 1997) inclui Presendia Huntington Buell, Elvira Cowles Holmes, Lucinda Morgan Harris, Sarah Kingsley Howe Cleveland, Esther Dutcher Smith — todas com maridos vivos na época do casamento.
A Igreja hoje, por meio do ensaio oficial, chama essas selações de "distintas do que entendemos por casamento". Mas nos diários contemporâneos das próprias mulheres envolvidas, elas se referem a Joseph como "marido" e descrevem as cerimônias no formato tradicional de casamento.
O modo como os casamentos eram conduzidos revela o que a Igreja sabia — e o que tentava esconder.
Joseph revela a doutrina apenas a um pequeno grupo: Oliver Cowdery, Frederick Williams, Hyrum Smith, Heber Kimball, Brigham Young.
Sarah Ann Whitney "casa" com Joseph Kingsbury em casamento falso para encobrir o selamento anterior com Joseph Smith.
A revelação é ditada para William Clayton na tentativa de convencer Emma. Distribuída apenas entre líderes.
William Law publica o Nauvoo Expositor expondo a poligamia. Joseph ordena a destruição da imprensa — evento que leva à sua prisão e assassinato.
Oito anos após a morte de Joseph, Brigham Young admite publicamente a poligamia em Utah.
O biógrafo oficial mórmon Richard Lyman Bushman, em Rough Stone Rolling (Knopf, 2005), reconhece:
Joseph's plural marriages were more than a way of cheating on his wife [...]. Yet the fact remains that Joseph was married to thirty or more women, two of whom were fourteen, with Emma unaware of most of them. The pattern is hard to square with the figure of a prophet.
Enquanto se casava em segredo, Joseph Smith negava publicamente a prática.
Em 16 de outubro de 1843 — três meses após ditar D&C 132 e com mais de 25 casamentos plurais já consumados — Joseph registrou em seu diário uma defesa pública:
Qual é o motivo dessa grande confusão? Eu não saberia dizer. Eu não posso descobrir nada, a não ser que algumas pessoas estão tentando fazer com que os outros acreditem que Deus permite que tenhamos uma comunidade de esposas e de bens [...]. Eu apenas posso dizer que não há nada disso.
Em 26 de maio de 1844 — a menos de um mês de sua morte — Joseph pregou o famoso sermão em que disse:
O que o mundo inteiro me acusa, eu me glorio nisso; eu posso apontar para o que posso dizer, e falar diante dos céus mais amplos com uma consciência tão pura quanto eu poderia falar de qualquer coisa. Eu posso ficar em pé em glória ao Deus dos céus, porque eu nunca tive mais que uma única esposa em todos os momentos. E eu posso provar isso, e eles não podem provar o contrário. [...] Eu contei a verdade. Eles são malvados e corruptos.
No momento deste sermão, Joseph Smith estava selado a pelo menos 30 mulheres — fato oficialmente reconhecido pela Igreja em 2014. A afirmação pública era falsa e conhecidamente falsa.
O padrão dos casamentos de Joseph Smith — esposas adolescentes, esposas casadas com outros homens, segredo sistemático, negação pública enquanto a prática continuava — é incompatível com qualquer definição razoável de conduta íntegra.
A Igreja hoje reconhece os fatos: o Gospel Topics Essay de 2014 confirma o número (~35), a idade mais jovem (14) e a prática de poliandria (pelo menos 11 esposas já casadas). A única questão em disputa é a interpretação: "eram selações sem dimensão sexual", "eram diferentes de casamentos", "eram seguindo a ordem divina".
Para quem quer avaliar o caráter do fundador do mormonismo, estes fatos não podem ser contornados. Eles são confirmados por historiadores mórmons, apologistas mórmons, críticos e pela própria instituição.
Todos os fatos desta página são reconhecidos pela própria Igreja em Gospel Topics Essay oficial, e documentados por historiadores acadêmicos mórmons (Bushman, Compton) e apologistas mórmons (Hales) com fontes primárias.
Referência cruzada: o número, as idades e a poliandria são triangulados entre o Gospel Topics Essay oficial (2014), as obras acadêmicas de Todd Compton (1997) e Brian Hales (2013, apologista mórmon), e a biografia padrão de Richard Bushman (2005, Columbia). As quatro fontes, de lados doutrinários diferentes, convergem sobre os fatos essenciais.